Resumo
Introdução: O transtorno do espectro autista (TEA) é um conjunto heterogêneo de condições do neurodesenvolvimento. Entre as alterações frequentes, destaca-se a seletividade alimentar, associada a alterações sensoriais e a padrões comportamentais restritivos e repetitivos. Objetivo: Apresentar evidências sobre a relação entre seletividade alimentar e TEA. Métodos: Revisão narrativa de artigos originais publicados nos últimos cinco anos nas bases Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Web of Science e PubMed, utilizando os descritores “autism spectrum disorder” e “food selectivity”. Resultados: A seletividade alimentar foi identificada como fator que compromete a qualidade da dieta em crianças com TEA. Observou-se maior consumo de alimentos calóricos e ultraprocessados e menor ingestão de fibras, frutas e vegetais em comparação a crianças neurotípicas, além de associação com inadequações nutricionais e maior prevalência de sobrepeso e obesidade. Discussão: Os achados indicam que a seletividade alimentar está relacionada a aspectos sensoriais e comportamentais característicos do TEA, influenciando os padrões alimentares e contribuindo para desequilíbrios nutricionais, o que reforça a importância de estratégias de manejo alimentar individualizadas. Conclusão: A seletividade alimentar em crianças com TEA é multifatorial, associada a riscos nutricionais e excesso de peso. A identificação precoce e intervenções adequadas são essenciais para minimizar impactos na saúde e no desenvolvimento infantil.
