Resumo
Introdução: O estudo retrospectivo analisou a epidemiologia e o perfil de suscetibilidade aos antimicrobianos de Stenotrophomonas maltophilia em amostras encaminhadas ao Laboratório de Referência Estadual em Saúde Pública de Goiás entre 2015 e 2024. Objetivo: Avaliar 97.418 amostras, das quais 458 apresentaram crescimento de S. maltophilia, correspondendo a 358 casos distintos. A maioria ocorreu em pacientes do sexo masculino (64,5%), com idade média de 35,5 anos. Metodologia: Estudo observacional com predominância em pacientes menores de 1 ano e entre 40 e 59 anos. As amostras foram majoritariamente swabs de vigilância (86,2%). Resultados: Verificou- se aumento expressivo no número de casos a partir de 2020, possivelmente associado à pandemia de COVID-19, que pode ter favorecido o uso ampliado de antimicrobianos e a ocorrência de infecções oportunistas. Em 7,76% dos casos, houve isolamento concomitante de outros microrganismos. A resistência ao Sulfametoxazol- Trimetoprima (SUT) elevou-se de 5,15% no período de 2015 a 2020 (critérios CLSI) para 10,9% entre 2020 e 2024 (critérios BrCAST). A alteração dos pontos de corte interpretativos resultou em aumento significativo de isolados com suscetibilidade intermediária (62,8%) ao SUT, impactando a escolha terapêutica e a interpretação clínica dos resultados. Conclusão: Este estudo reforça a importância da vigilância epidemiológica contínua de S. maltophilia e evidencia a necessidade de monitoramento constante dos perfis de resistência, sobretudo em populações vulneráveis, como neonatos e pacientes imunocomprometidos, contribuindo para estratégias eficazes de controle e uso racional de antimicrobianos em ambientes hospitalares.
