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ANÁLISE DA DEPENDÊNCIA DE BENZODIAZEPÍNICOS EM USUÁRIOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E FATORES ASSOCIADOS AO USO, À PRESCRIÇÃO E À ABSTINÊNCIA: ESTUDO EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE GOIÂNIA-GOIÁS-BRASIL 2021-2022
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Palavras-chave

Atenção Primária à Saúde;
Receptores de GABA-A;
Uso de medicamentos;
Transtornos relacionados ao uso de substâncias;
Síndrome de abstinência a substâncias.

Resumo

Introdução: Os benzodiazepínicos (BZD) são drogas que atuam nos receptores de ácido gama-aminobutírico (GABA-A), seu uso prolongado pode provocar déficits cognitivos, alterações motoras, sedação excessiva e dependência. Sendo o medicamento de uso controlado entre os mais vendidos no Brasil e a maioria das prescrições realizada pela atenção primária à saúde (APS). Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico de usuários de benzodiazepínicos (BZD) de uma Unidade de Saúde da Família (USF) e analisar a associação entre características sociodemográficas e condições de saúde com o nível de dependência. Metodologia: Estudo observacional analítico do tipo transversal com 25 usuários de BZD, realizado entre abril de 2021 a novembro de 2022, usando um questionário sociodemográfico e o questionário BENDEP-SRQ. Foram estudadas as variáveis: medicamento consumido, sexo, estado civil, escolaridade, idade, renda, autopercepção de saúde e grau de dependência do benzodiazepínico. Resultados: Foram entrevistados majoritariamente mulheres (76%) com idade média de 59,72 anos (DP ±11,46), que faziam uso do benzodiazepínico em média por 16,75 anos (DP ±12,80), sendo o clonazepam o medicamento mais usado. A maioria dos entrevistados, 22 (88%), afirmou ter dificuldade para dormir. Na análise de regressão linear múltipla, os modelos explicaram 79% da variabilidade do uso problemático (r2 ajustado = 0,79), 34% da preocupação com o uso (r2 ajustado = 0,34), 41 % da falta de obediência às regras de prescrição (r2 ajustado = 0,41) e 83% da abstinência (r2 ajustado = 0,83). Entre os fatores associados, destacam-se a dificuldade para dormir e o uso de clonazepam para o uso problemático, e a faixa etária de 60 a 80 anos, a renda familiar de um a três salários-mínimos e a não prática de atividade física para a abstinência. Dada a amostra de conveniência (n=25), esses resultados têm caráter exploratório. Conclusões: A amostra evidenciou uma população idosa com perfil de dependência de baixa dose, associada a longos anos de uso. A dependência de BZD tem implicações significativas para a saúde e o bem-estar dos indivíduos. Este estudo expõe a carência de políticas públicas para a prescrição adequada e o uso racional.

https://doi.org/10.65027/2447-3405.2026.1127
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