Resumo
Introdução: As disfunções respiratórias restritivas são caracterizadas pela redução dos volumes pulmonares e podem comprometer a função respiratória de pacientes hospitalizados. O incentivador respiratório a fluxo é utilizado na fisioterapia respiratória, porém seus efeitos sobre a função pulmonar nessa população ainda não estão claramente estabelecidos. Assim, investigar sua aplicação com e sem carga pode contribuir para melhor compreensão de seus efeitos na função pulmonar. Objetivo: Avaliar os efeitos do uso do incentivador respiratório a fluxo, com e sem carga, sobre a função pulmonar de pacientes internados com padrão ventilatório restritivo. Métodos: Ensaio clínico randomizado, prospectivo e analítico, realizado com 41 pacientes hospitalizados, divididos em dois grupos de intervenção. O Grupo A utilizou o incentivador Respiron® com carga ajustada a 50% da pressão inspiratória máxima (PImáx), enquanto o Grupo B seguiu um protocolo adaptado do mesmo dispositivo, sem carga adicional. Foram analisadas variáveis fisiológicas e funcionais, incluindo frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação periférica de oxigênio (SpO₂), volumes pulmonares (CVF e VEF1), pico de fluxo expiratório (PFE) e força muscular respiratória (PImáx e PEmáx). Para análise das variáveis categóricas, utilizou-se o teste do Qui-quadrado de Pearson. As variáveis fisiológicas e funcionais foram comparadas intra e intergrupos. Para análise intragrupo foi aplicado o teste t pareado, enquanto para comparações entre os grupos foi utilizado o teste de Mann-Whitney, considerando-se os deltas das variações dos parâmetros. Adotou-se nível de significância de p < 0,05. Resultados: Ambos os grupos apresentaram melhora estatisticamente significativa na maioria dos parâmetros respiratórios analisados. No entanto, apenas o Grupo A obteve ganhos na força muscular inspiratória (p < 0,001) e força muscular expiratória (p = 0,030), evidenciando maior eficácia do protocolo com carga ajustada. Conclusão: O uso do incentivador respiratório a fluxo demonstrou ser uma estratégia eficaz na reabilitação de pacientes hospitalizados com distúrbios ventilatórios restritivos. Os achados reforçam a necessidade de mudança de paradigma em sua prescrição clínica, defendendo sua utilização como equipamento voltado ao treinamento da musculatura respiratória, sendo os ganhos em volumes pulmonares e parâmetros ventilatórios considerados desfechos secundários dessa intervenção ativa.
