Resumo
Introdução: A transição do modelo hospitalar para o comunitário no atendimento a pessoas acometidas por transtornos mentais e comportamentais (TMC) ainda se encontra em processo de efetivação no Brasil. Após a organização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), torna-se importante conhecer o perfil dos casos que ainda necessitam de internação, mesmo após a ampliação dos serviços comunitários. Objetivo: Descrever o perfil das internações por TMC no Brasil, em 2020. Método: Estudo transversal das internações por TMC ocorridas no Brasil no ano de 2020, extraídas do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), que tiveram como diagnóstico principal um diagnóstico do capítulo V da CID-10. As variáveis categóricas foram apresentadas por meio de frequências simples e relativas, com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As taxas de internação foram padronizadas pelo método direto por idade, tendo como padrão a população total do Brasil no ano de 2020, de acordo com a projeção do Censo 2010. O relato seguiu as recomendações do STROBE. Resultados: Em 2020 foram registradas no SIH/SUS 10.668.585 internações, das quais 301.892 (2,8%) foram causadas por TMC. Com relação aos grupos de causa, destacaram-se as internações por esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes, com 37,3% do total de hospitalizações. Conclusão: O maior número de internações por TMC em 2020 ocorreu em adultos do sexo masculino, com predomínio de esquizofrenia, transtornos esquizotípicos e transtornos delirantes, residindo a maioria dos pacientes nas regiões Sul e Sudeste. Os achados devem ser interpretados considerando-se as limitações do estudo — restrição às internações financiadas pelo SUS, incompletude do campo raça/cor e coincidência do período analisado com o primeiro ano da pandemia de covid-19 —, o que reforça a necessidade de ampliar as investigações sobre o tema, incluindo dados do setor privado.
