Resumo
Introdução: A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, cutâneo-neural, causada pelo Mycobacterium leprae, transmitida por gotículas de saliva de pacientes bacilíferos não tratados a contactantes suscetíveis. No Brasil, permanece um relevante problema de saúde pública, com altas taxas de incapacidades físicas, muitas vezes presentes ao diagnóstico. O diagnóstico precoce, a notificação adequada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e o tratamento com Poliquimioterapia Única (PQT-U) são fundamentais para o controle da doença. Objetivo: Avaliar se as fichas de notificação de hanseníase estão sendo corretamente preenchidas no quesito avaliação neurológica ao diagnóstico e na alta e o número de nervos periféricos afetados Metodologia: Análise retrospectiva, quantitativa e descritiva a partir das fichas de notificação e boletins de acompanhamento de casos novos de hanseníase de pacientes notificados no período de 2017 a 2021, residentes em Goiás, e que receberam alta por cura. Este estudo analisou a completude do registro das variáveis neurológicas, como número de nervos periféricos afetados, grau de incapacidade física ao diagnóstico e na alta, possibilitando avaliar a precocidade do diagnóstico e a qualidade do atendimento nos serviços de saúde. Resultados: A principal falha foi o não preenchimento do grau de incapacidade na alta. A incompletude foi maior nas formas paucibacilares (PB), não classificadas e em regionais específicas, com destaque negativo para as regionais Norte e Sul. Conclusão: Os resultados evidenciam a necessidade de capacitações contínuas, padronização das práticas de notificação e melhorias nos sistemas de informação para fortalecer o cuidado e a vigilância da hanseníase em Goiás.

