Resumo
Introdução: A violência sexual ainda é reconhecida como um problema de grande impacto na Saúde Pública. Esse fenômeno é atravessado por desigualdades de raça e gênero, que ampliam a vulnerabilidade de determinados grupos populacionais. Objetivo: Comparar o comportamento estatístico da violência sexual e os índices de homicídios entre mulheres brancas e não brancas no estado de Goiás, no período de 2013 a 2022. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal que utilizou o Sistema de Informação de Agravos de Notificação para a coleta de dados, analisando 120 registros na categoria “Violência Interpessoal/Autoprovocada - Brasil”, entre as variáveis “branca”, “negra” e “parda”. A abordagem estatística envolveu o Teste de Shapiro-Wilk para avaliar a normalidade dos dados; a verificação por meio de tabela de contingência para medir a associação entre raça e notificação de violência; e o Teste de Qui-Quadrado para examinar diferenças significativas entre os grupos. Resultados: Indicaram padrões não gaussianos em ambos os grupos observados; para mulheres brancas, coeficiente de 0,907 e valor-p de 4,802e-07; enquanto para mulheres negras, coeficiente de 0,805 e valor-p de 2,631e-11. Na análise racial, o valor-p (1,94e-07) do Teste de Qui-Quadrado para independência apontou associação estatisticamente significativa entre a raça das mulheres e o número de notificações de violência sexual, o que incitou a observação dessa realidade à luz de teorizações decoloniais. Conclusão: Evidenciam-se disparidades raciais na notificação da violência sexual, destacando a necessidade de abordagens interseccionais e decoloniais para compreender e enfrentar esse problema de saúde pública.

